Notícia - DJ Samba [Entrevistas]
DJ Samba [Entrevistas]
Para o DJ set do mês de março, o DNB Online convida um inglês que possui um carinho especial pelo Brasil. Ben Dixon, também conhecido como DJ Samba, é um arquiteto e designer de 25 anos que adora drum’n bass, sobretudo, o drum’n bass brasileiro. Em entrevista exclusiva, Samba faz um apanhado sobre drum’n bass, cena inglesa e música brasileira. Confira abaixo:
DNBOL: Quando você conheceu a música brasileira?
Samba: Já sou DJ há oito anos. Toquei deep house por um tempo, mas rapidamente acabei sendo atraído pelo drum’n bass em eventos da Turbulence, em Newcastle (Londres). Nessa época, para mim, era o Fabio quem tocava as melhores músicas e o show dele na Radio1 era o melhor. Quando ele tocou Sambassim pela primeira vez, a música despertou algo em mim. Ela era nova e diferente, ignorava as regras e o vocal era surpreendente. Depois disso, eu tocava todas as faixas do Brasil EP em sets e em mixtapes. Quando me perguntaram pelo meu nome como DJ, escolhi Samba em homenagem ao som que me inspirava. Desde então, eu estou sempre em contato com a música brasileira, não apenas drum’n bass, mas todos os estilos.
DNBOL: Você toca produções nacionais que vão além dos DJs mais conhecidos, como Marky, Bungle e XRS, por exemplo. Como o público tem reagido a essas músicas?
Samba: Eu sempre recebo ótimas reações às faixas brasileiras. Elas têm sempre energia, alma e elementos musicais fortes. Eu sempre amei os grandes clássicos jazzy como “Sambarock” e “Rudebwoy”, no entanto as faixas mais deeps também são muito boas. As novas do Bungle são bem fortes e é ótimo ver BTK e C.A.B.L.E. se dando muito bem com faixas mais pesadas. A evolução do som também não parou: desde a explosão em 2001/02, pela constante corrente de bons lançamentos ao recente Innerground Records e o primeiro brasileiro, o paulistano SPY, a se unir à Metalheadz. Isso tudo é muito bom.
DNBOL: Quais novos produtores brasileiros têm figurado no teu set?
Samba: Os novos têm recebido o mesmo espaço que os pioneiros, principalmente porque estes últimos sempre trazem algo diferente e não têm medo de experimentar. No meu case neste ano estão: Marky, XRS, Patife, Drumagick, Bungle, Andy, Mikrob, Koloral, Ramilson Maia, Roots, Fabio Kura, Cosmonautics, Madzoo, SPY, Tisso, Ney Faustini e David WS .
DNBOL: Existe alguma maneira de produtores brasileiros entrarem em contato com você pra enviarem produções próprias?
Samba: Sim, definitivamente. Eu estou disposto a atrair a maior exposição possível para os artistas brasileiros e escuto com cuidado tudo que recebo. E lembre-se que eu não toco apenas drum’n bass. Eu tenho muito interesse em uma variedade de estilos e BPMs.
Aim: aimsamba
E-mail: samba@worldpercussionsessions.com
DNBOL: Nós já conhecemos o trabalho do DJ Samba. E quanto o produtor Samba, você já está se aventurado na produção musical?
Samba: Eu ando planejando começar já há algum tempo, mas tocar, promover festas, mixagem em estúdios, entre outras coisas, sempre me mantém muito ocupado. Mas esse ano eu começo, acabei de me mudar e agora tenho um ambiente muito melhor para trabalhar. O que eu sinto que realmente não foi feito apropriadamente ainda são faixas com influências realmente alternativas, além das escolhas mais óbvias de samples e influência. Eu quero tentar e utilizar algo a mais de hip-hop brasileiro, Batucada, ou até funk carioca. Conseguir um som mais impuro, eclético.
DNBOL: Fale um pouco da sua festa. Como é a World Percussion Sessions?
Samba: Nós começamos a WPS para reunir DJs, percussionistas, vocalistas e bandas em sessões ao vivo de “jamming”. Craggz e eu somos os residentes e, todo mês, uma variedade eclética de convidados junta-se a nós. Até hoje, já realizamos sessões de jazz brasileiro, grupos de fusão africanos, grupos de reggae jamaicanos, laptop jams e até uma escola de samba completa. Eu faço sets de bossa nova, samba, jazz brasileiro, um pouco de batucada e funk carioca com european nu jazz & broken beats. Craggz traz soul, funk e house old school para mostrar a história e influências por trás de sua música. Nós queremos que as pessoas venham, portanto cervejas Brahma são distribuídas gratuitamente a todos que vêem à festa. Como resultado as sessões acabam sendo bem bagunçadas. Nós temos muita vontade de receber convidados e músicos do Brasil, por isso se você estiver por perto de Londres entre em contato através do novo website. Ele é atualizado regularmente com gravações ao vivo, tracklistings, fotos e perfis. O site é: www.worldpercussionsessions.com
DNBOL: Em linhas gerais, diga como anda a cena inglesa. Exponha o que você gosta e o que não gosta.
Samba: Eu sempre amei a cena inglesa porque foi onde eu aprendi a entender o drum’n bass e, deixando de lado algumas falhas como a pressão por venda e redução de mercados, creio que sempre haverá paixão pela música aqui. A paixão é o que move a cena e se ela fosse movida apenas por pessoas interessadas no dinheiro, não seria tão forte musicalmente como é hoje. Enquanto novas influências e junglists sem preconceito fizerem parte da cena, ela continuará se desenvolvendo e crescendo. Em minha opinião, um importante progresso foi o aumento da duração do tempo em sets de algo como 2 para 8 horas, o que permitiu aos DJs trabalharem com mais de um estilo ou um set crescente a realmente demonstrarem seu trabalho. Obviamente, a aceitação de um meio que permite a livre transferência de música no mundo inteiro vem causando questões positivas e negativas, mas eu certamente teria mais problemas em adquirir novas produções brasileiras sem esse meio. O fato de DJs não serem capazes de entrar na cena somente pela seleção de sons e habilidade de mixagem é apenas um sintoma da cultura dos DJs sendo mais conhecida na década de 90. No entanto, eu continuo com minhas opiniões e aproveito as oportunidades que aparecem simplesmente tentando fazer algo diferente, me encontrando com pessoas dispostas e sempre carregando um CD mixado.
DNBOL: Você acha que algum sub-estilo do drum’n bass têm se destacado mais em relação aos outros?
Samba: Na verdade não. Eu acho que se há mais de uma noite de drum’n bass, geralmente há apenas poucos sub-estilos sendo tocados e com o crescimento das rádios na internet, você pode encontrar praticamente qualquer subgênero que quiser. Com exceção a top tens e vendas, eu acredito que provavelmente existe uma representação justa também. Só porque eu não ouço os hits nos clubs de liquid funk, não significa que elas não estejam arrasando em festas maiores e ganhando popularidade. Eu ainda acredito que exista mais espaço para noites crossover, juntando drum’n bass com funk, jazz, broken beats ou house, permitindo uma audiência maior dentro do cenário junglist.
DNBOL: Como você vê o futuro da cena underground do estilo?
Samba: Eu acho que a cena prestará mais atenção a novos produtores nos próximos anos, graças à rápida explosão da produção musical. E mais pessoas estão percebendo o que é preciso para levar uma faixa ao nível exigido atualmente. Eu espero ver muito mais eventos ou DJs com diferentes acompanhamentos, não apenas vocalistas, mas instrumentistas também. Os eventos que eu prefiro são aqueles com uma sensação diferente, algo de especial e fazer com que DJs toquem fora de seus estilos usuais é sempre uma boa coisa.
DNBOL: Quando você pretende visitar o Brasil? Algum lugar em especial que gostaria de conhecer?
Samba: Eu vou ao Brasil para o Skol Beats, em maio, provavelmente de 12 a 28. Eu estarei com Tisso, Spy e Tendai e esperamos visitar algumas cidades. Nada confirmado ainda, mas eu quero conhecer São Paulo, Bahia, Campinas e Brasília.
DNBOL: Pra finalizar, um top 5 drum’n bass e um de músicas brasileiras.
DJ Patife feat. Cleveland Watkiss - Overjoyed (Cuadra)
Craggz & Parallel Forces - Lost in Translation (Valve Dub)
Drumagick - Bossa (Cuadra)
Dave Angel - Rotations - Marky & XRS Rmx (V)
Phobia - Quartet (Horizons Dub)
Jorge Ben – Comanche
Tenorio Jnr – Nebulosa
Bossa Três – Imprevisto
Os Originais Do Samba - Tenha Fé Pois Amanhã
Farofa Carioca - Moro no Brasil
Ouça o set http://www.dnbonline.com.br/base.php?id=djset
Fonte: André 'Andy 81' Almeida é colaborador do DNB Online em 10/10/2007
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