Notícia - O Pancadão no mundo!
O Pancadão no mundo!
Shortinho, dancinhas, tchutchucas, preparadas, popozudas. O pancadão toma conta do mundo e invade a eletrônica! O funk carioca que já foi minúsculo hoje está maiúsculo. O estilo já está no mundo e ganhando reconhecimento, talvez até como uma vertente elevada da música eletrônica, como arriscam alguns. Foi se o tempo que o funk era chamado de música de marginal, hoje é tocado desde os morros até os clubs mais hypados e chiques das cidades, além de ser produto de exportação e já ganhou reportagens nas páginas dos jornais ``The Guardian``, do Reino Unido, ``Village Voice`` e ``The New York Times``, de Nova York.
Mais vamos voltar aos primórdios para entender o presente. O funk dos anos 70 pode ser chamado de pai de todos. Depois uma versão acelerada e modernizada surgiu o eletrofunk. Com o uso da bateria eletrônica Roland - 808, deu-se origem ao Miami bass e ao então funk carioca ou pancadão, batidão, como quiser. Isso foi lá pelos anos 90 aqui no Brasil. Nesta época o Miami bass era super básico e mudou de figura, com a ajuda de produtores mais experientes e do mestre do funk, o DJ Marlboro. Hoje as bases estão mais bem produzidas e mais criativas, assim como as melodias, que ganharam vocais muito mais esdrúxulos, engraçados e pornográficos. Para ter uma noção da tamanha importância que tomou o funk, vira e mexe nos deparamos com Marlboro tocando nos festivais mais legais da gringa como o Sònar e o Transmediales. O DJ ainda ``ganhou`` as noites de quarta feira no club paulista Lov.e (DJ Marky que o diga), com tanto sucesso a noite agora é permanente, uma felicidade para as tchutchucas de sampa. Além de que pode ser considerado como um ``arrastão cultural``, pois leva consigo além da música, a moda, a dança, as gírias e um vocabulário mais particular.
Uma mulher sensacional que surgiu nos bailes funks é a Tatti Quebra Barraco. De ex-cabeleireira e cozinheira de creche na cidade de Deus à MC do funk carioca. Ela confia nos DJs para colocar as bases eletrônicas, mas os vocais ficam por conta dela, que arrasa nas letras absurdas como: ``Sou feia mais tô na moda``.
A mina do funk fala o que quer, não liga para seus quilinhos extras, enche a cara e arrasa sem medo. Além dela tem os vários bondes que surgiram, como: do Tigrão, das Tchutchucas, Faz Gostoso, das Bad Girls e etc. Falando em bonde tem o ``Bonde do Tetão``, que é o funk carioca feito pelo duo de cabeças criativas e sacanas do Tetine. Eliete e Bruno são brasileiros radicados em Londres e fazem funk de qualidade na gringa, e isso que eles não são cariocas. O duo laçou o ``Bonde do Tetão`` e o ``Slum Dunk Presents Sounds of Funk Carioca``, que é uma compilação com os melhores do gênero, incluindo a musa Quebra Barraco. Agora o porque de Slum Dunk? Nada mais nada menos que o nome do programa de rádio que o Tetine tem na Resonance FM, a rádio de Londres que o transmite com o que há de melhor do funk carioca todas as semanas. Outra que tá fazendo um sucesso lá fora com o funk carioca é a raggafunkrapper cingalesa nova rainha do hiphopelectrofunk (carioca) MIA, que deve aparecer aqui no Brasil no final do ano com seu parceiro Diplo.
Mas o que o funk carioca nos faz lembrar? Bingo! Para quem disse electro. Sim, tem tudo a ver, desde o fundamento com batidas gordas tiradas de equipamentos simples até as letras loucas. A bola da vez pode ser a fusão de funk com electro, ou house com funk? Para entender melhor o gênero só ouvindo! Então vá atrás de um CD de funk.
Fonte: Manoela Ebert em 27/01/2006
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